Ronaldo Abude avalia em entrevista o atual cenário empresarial em Itabuna e traça perspectivas para 2016

Ronaldo Abude FOTO VIVIANE CABRALPor Viviane Cabral

Há seis meses a frente da Associação Comercial e Empresarial de Itabuna – ACI, o empresário Ronaldo Abude Eustáquio da Silva faz um balanço do início da sua gestão, que vem sendo marcada pela participação da classe empresarial nas decisões do município. Entre as perspectivas para 2016, Ronaldo espera contar com a maior participação dos empresários nas ações promovidas pela entidade, visando alcançar um ambiente favorável para o desenvolvimento da região.

Como o Senhor avalia o atual cenário empresarial em Itabuna?

R. A.: O momento atual é muito interessante, do ponto de vista da participação do empresariado nas entidades de classe, nas questões políticas. Desde que assumir a [Associação Comercial e Empresarial de Itabuna] – ACI, a gente vem conquistando espaços interessantes, tanto na mídia quanto no Poder Público de uma forma geral. Então, essa participação está mudando o cenário, mas está mudando também o comportamento do empresário.

Nós temos reuniões constantemente com o Ministério Público, com o Prefeito, na Câmara de Vereadores, com os Secretários Municipais, e, a gente tem tido um retorno positivo de outros empresários. Então, estamos vivendo um momento de mudança importante, e, isso é um ponto muito satisfatório. Agora, a gente precisa dar um segundo passo, que é começar aumentar o número de empresários que se interessam em participar de todo esse movimento.

Nesse primeiro passo que foi dado, as lideranças têm trabalhado bastante, estão unidas em várias reivindicações e ações. Temos participado de reuniões onde tem a presença do CDL, do Sindicom, da Associação Comercial, do Movimento Empresarial do Sul da Bahia em Ação, outras associações ligadas ao campo, como a Adasb, por exemplo, que tem participado em conjunto com a gente.

Quais as perspectivas da Associação para o próximo ano?

R.A.: A gente está vivendo um momento em que se tem falado muito da crise. Mas, a gente tem visto na história do mundo e do país que é durante a crise que a gente consegue parar e buscar soluções, mudar comportamentos, atitudes e, mudar quem sabe até uma cultura.

Nosso grande desafio hoje à frente da ACI é mudar a cultura. E, mudar cultura não é fácil, vai exigir da gente muita persistência, muito trabalho também. A gente tem que começar a demonstrar a sociedade que a gente tem interesses no coletivo, que existe um desenvolvimento de uma forma que atenda as necessidades de toda a população e de todos os seguimentos.

Então, os empresários devem estar atentos a toda essa movimentação, seja política, ligada a atividades da agricultura, pecuária, do comércio. Então, tudo que acontece de positivo ou negativo vai interferir no todo. Esse entendimento é importante para que a gente consiga fazer com que todas as classes e entidades entendam que elas devem se unir em um único projeto, que é o projeto de desenvolvimento da nossa cidade.

A Associação não está somente ligada ao setor empresarial, mas ela se preocupa com outras áreas para que o desenvolvimento venha acontecer e gerar frutos para o setor. É essa a ideia?

R. A.: Exatamente. Tudo está interligado. Se você tem uma cidade que consegue educar melhor os jovens, vão ser formadas melhores pessoas, competentes e preparadas. Se você tem uma cidade com um bom serviço de saúde, vai atrair pessoas que tenham interesse em vir para a nossa região. Muitas empresas definem aonde irão se instalar tentando enxergar vários aspectos na cidade, como saúde, educação, mão de obra, se tem água, por exemplo.

A água é outro projeto que estamos engajados porque a gente sabe da necessidade de água na nossa região. Estamos passando por um momento de crise na questão de água por falta de chuva. Então, todos esses segmentos convergem para que tenhamos esse ambiente propício ao empreendedorismo.

Porque, eu tenho certeza de que hoje o que mais influencia nos resultados das empresas é tudo que acontece externamente. Então, é esse o entendimento e a compreensão que estamos buscando com todos os empresários da nossa cidade, e, dessa forma estamos fazendo com que eles percebam a importância e a necessidade de união de toda a região.

Que conquistas o Senhor tem alcançado junto aos empresários?

R.A: A união das entidades, como Sindicom, CDL e Associação Comercial, que em muitas cidades funcionam dentro de um mesmo espaço físico, com finalidades um pouco diferente. Aqui, em Itabuna, a gente está começando a perceber que todas essas entidades já começaram a entender que precisam estar unidas.

Poderia também pontuar que todos os setores precisam estar interligados, como o setor de serviço, comércio, indústria e agricultura. Então, dentro da Associação Comercial temos cinco (5) conselhos, onde todos os diretores estão começando a entender a importância de que eles têm de participar um com o outro, de todas as discussões que envolvem os setores.

Nós estamos começando a ser mais percebido pelo Poder Público. O Ministério Público está percebendo que estamos de olho nas ações, na importância que o órgão tem para a nossa sociedade. A própria Universidade Federal do Sul da Bahia já tem uma aproximação muito grande com os empresários, através de contatos que fizemos. Hoje já existe um Fórum Empresarial dentro da universidade que está se discutindo o futuro dessa entidade em nossa região.

O Senhor acha que o Associativismo é um passo importante para que haja o desenvolvimento na cidade?

R. A.: O Associativismo é a solução para qualquer classe. O Associativismo proporciona um ambiente para que você possa ter conquistas, para que se possa debater. Ninguém é capaz de fazer nada sozinho. Você dentro de uma Associação bem estruturada, com planejamento estratégico bem montado e com pessoas juntas buscando um objetivo, tem muito mais força.

Agora, a cultura associativista é que ainda não está implementada em nossa sociedade. Por isso a persistência que temos que ter, para que as pessoas entendam os benefícios de uma associação. Acho que a gente tem uma tarefa muito importante, que é convencer os associados a fazer com que eles passem a ter essa cultura.

O que o Senhor espera para a Associação em 2016?

R.A: Eu espero conquistar uma visibilidade da nossa Associação na sociedade e que essa visibilidade seja de forma positiva. Que a sociedade e os nossos associados comecem a entender que aqui é o caminho para conquistar as coisas que queremos. Em 2016, isso seria um passo muito importante a ser dado pela Associação.

O que ainda precisamos conquistar é que o “exército” [de empresários] precisa ser aumentado. Nós temos hoje poucas pessoas, mas muitas entidades, trabalhando muito.


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