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Agroindústria familiar requalificada impulsiona renda e protagonismo das mulheres em Gongogi

A requalificação da unidade de beneficiamento de frutas do Assentamento Santa Irene, no município de Gongogi, realizada pelo Governo da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), representa um avanço concreto na transformação do meio rural e no fortalecimento da agricultura familiar.

Com capacidade de produção de até 1.000 quilos de polpa por hora e armazenamento de até 30 toneladas em câmara fria, a agroindústria familiar amplia significativamente a produção, melhora a qualidade dos alimentos e abre novas oportunidades de mercado para as famílias da comunidade.

Gerida pela Associação de Mulheres do Projeto de Assentamento Santa Irene (Ampassi), a unidade beneficia diretamente mais de 40 famílias agricultoras e impacta outras tantas de forma indireta, ao fortalecer a produção local e criar novas possibilidades de comercialização. No espaço, são produzidas polpas de frutas como cacau, cajá, acerola, manga e goiaba, além de pães, bolos e biscoitos, especialmente à base de mandioca, valorizando os alimentos da agricultura familiar e incentivando uma produção mais saudável.

Antes da requalificação, a produção era limitada pela estrutura e pelos equipamentos disponíveis, o que restringia a capacidade de processamento e aumentava as perdas. Agora, com a nova estrutura, a expectativa é ampliar a produção, atender novos municípios e avançar também para o mercado privado, lém de fortalecer a presença nos programas institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para a secretária da SDR, Elisabete Costa, iniciativas como essa representam um avanço estratégico para o desenvolvimento do estado. “As agroindústrias familiares são um dos pilares das políticas públicas para a agricultura familiar. Elas evitam perdas na produção, geram renda e promovem inclusão produtiva, fortalecendo a organização das comunidades. Mais do que isso, elevam agricultores e agricultoras a um novo patamar de renda, qualidade de vida e dignidade, impulsionando uma transformação concreta no meio rural baiano”, destacou.

Mais renda e qualidade de vida no meio rural

A presidente da Ampassi, Andrea Sales, reforça que a agroindústria vai muito além da produção. “Essa requalificação transforma a realidade da nossa comunidade. Hoje conseguimos aproveitar melhor a produção, reduzir perdas e gerar mais renda para as famílias. Além disso, fortalecemos o protagonismo das mulheres, criamos oportunidades de trabalho e garantimos alimentos de qualidade. É um avanço que traz dignidade e abre novos caminhos para a comercialização, inclusive para outros municípios”, afirmou.

Na rotina da agroindústria, a coordenadora Geisa Sales acompanha de perto cada etapa da produção, garantindo a qualidade e a segurança dos alimentos. Filha de agricultores e com formação na área de alimentos, ela vê na unidade um símbolo de transformação. “Essa agroindústria é muito mais do que um espaço de produção. Ela representa propósito, pertencimento e transformação. Aqui consigo unir o conhecimento científico ao saber popular, valorizando o trabalho das agricultoras e fortalecendo o nosso território. É a prova de que a ciência pode e deve estar a serviço das pessoas”, destacou.

Expansão da agroindústria familiar na Bahia

O exemplo de Gongogi integra uma política pública estruturante que vem sendo executada em toda a Bahia. Nos últimos anos, mais de 400 agroindústrias familiares estão sendo implantadas ou requalificadas, consolidando um modelo que permite aos agricultores e agricultoras beneficiar e industrializar sua produção, agregando valor e ampliando oportunidades de mercado.

Para o diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, a agroindustrialização é um caminho estratégico para o desenvolvimento rural. “Quando a gente investe em agroindústria, está garantindo que o produto da agricultura familiar tenha valor agregado, gere renda e permaneça no território. É assim que fortalecemos a economia local, criamos oportunidades e transformamos a vida das pessoas no campo”, afirmou.

Esse avanço também conta com suporte técnico especializado. Atualmente, cerca de 480 profissionais atuam diretamente nas agroindústrias, apoiando desde a organização produtiva até o acesso a mercados, garantindo que os empreendimentos se tornem mais competitivos e sustentáveis.

Além de gerar emprego e renda, as agroindústrias contribuem para reduzir perdas pós-colheita, aumentar a oferta de alimentos ao longo do ano e fortalecer a economia dos territórios rurais. Experiências semelhantes vêm sendo implantadas em diferentes regiões do estado, como em Paratinga, com unidades voltadas ao beneficiamento de frutas e derivados da cana-de-açúcar, e em Morpará, com novos equipamentos para produção de mel e classificação de ovos, entregues recentemente.

Repórter: Karoline Meira
Fotos: Secom


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