Eu sei o que você não fez na eleição passada

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De acordo com o site jusbrasil, dos cerca de 230 países onde há eleições, em apenas 31 deles o voto é obrigatório. Países como Índia, China e mais recentemente (2011) o Chile, não impõem o sufrágio a seus cidadãos. Porém, países como Austrália, Brasil, Uruguai e a maioria dos países latino-americanos, escrevendo uma tendência dos países em desenvolvimento, possuem leis e obrigam o cidadão a votar, além de aplicarem sanções punitivas.

O termo “voto” tem um significado curioso, de acordo com o Aurélio, vulgo pai dos burros: “Promessa solene com que nos obrigamos para com Deus, juramento”. Parece ironia exercermos uma ação descrita como divina e, o político eleito, que deveria assumir obstinadamente uma conduta sagrada é, justamente, quem tripudia e despreza os Dez Mandamentos, especialmente o 7º e a 8º – não roubarás e não levantarás falso testemunho, os citados em destaque os maus políticos são experts.

Embora haja, sim, bons políticos que são raras e honrosas exceções, devemos escolhê-los com zelo. Porém, neste momento quero fazer uma provocação, caro cidadão. Longe de transferir a responsabilidade social para você, mas questiono: nos últimos 4 anos, retirando o domingo do seu exercício sacro-santo do voto, considerando também a contribuição de seus impostos, seu trabalho árduo e etc, qual participação cívica efetiva tens efetuado? Lembra-se do último Deputado Estadual em quem votaste? Participa de audiência pública? Associação de moradores? Qual a sua participação nas discussões dos temas da sua cidade, bairro, território ou da sua rua? Interessa-se em assinar uma petição pública? E outros tantos meios de participação…?

A perda de um domingo de Outubro, com “sol de liberdade e raios fúlgidos”, para dedicá-lo à obrigação do exercício do voto pode parecer o final da caminhada. A sensação de votar e voltar para casa encerra nossa obrigação. Porém tal ato significa, na verdade, o início do que deveria ser a nossa natural obrigação, A PARTICIPAÇÃO. Após o voto, cruzar os braços, destilar ódio nas redes sociais, alegar que “não votei nele, não é culpa minha”, aceitar passiva e obedientemente aos descasos e devassa com o dinheiro público não é a melhor opção, aperte a tecla em “corrige”!

Sou um cidadão otimista como muitos. Acredito que este ano pequenas mudanças a nível municipal ocorrerão, e estas ações se alastrarão por municípios de todo o Brasil, significando o marco inicial de uma guinada que alcançará a esfera Federal, brotando da instância municipal. Há exemplos de câmaras de vereadores tomadas por populares reivindicando a redução salarial de seus gestores, e com sucesso, vide o exemplo da cidade de Santo Antônio da Platina no Paraná. Clique aqui: (http://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2015/07/camara-aprova-reducao-no-salario-de-prefeito-e-vereadores-no-norte-do-pr.html )

Parece otimismo exacerbado ou clichê da previsão do tempo, quando se prever chuva em algum lugar do Brasil apontando para uma região imensa. Mas meu otimismo é compartilhado com o seu, é aquele que não aguenta mais as noticias que acompanha sobre corrupção, impunidade e privilégios, que recuperou a capacidade de indignar-se. E quer algo diferente, novo e PARTICIPAR disso.

Rafael Bertoldo é Economista e Especialista em Gestão Pública Municipal.


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